04/08/2017

Os Novos Atlantes, a nova HQ do Coletivo Tesla


Essa galerinha do Coletivo Tesla leva a sério pra caramba, como deve ser, essa história de fazer quadrinhos. O esmero da equipe pode ser percebido em cada detalhe das páginas de Os Novos Atlantes.

Os Novos Atlantes
Capa dura
20,5cm x 28,5cm
80 páginas
Papel couche fosco
Valor R$ 30,00

Com argumento de Ismael Chedid, desenhos de Adan Marini e com Frank Tartarus assinando o roteiro e as cores, a narrativa gráfica da vez nos leva para algum lugar, não especificado, da América do Sul, onde acompanhamos uma expedição de estudantes a um sítio arqueológico em que, bem, algumas coisas acontecem e nós acabamos acompanhando uma jornada pelos tempos imemoráveis e suas mitologias. 

A galera do Tesla já fez um trabalho sensacional com Dies Irae, também lidando com divindades e mitologias, os caras realmente sabem brincar com esses elementos.

Durante a leitura da bela edição que os caras enviaram (aliás, obrigado pelo presente), me peguei pensando que aquele era o tipo de leitura a que uma criança/pré adolescente deveria ser presentada em suas primeiras leituras mais arrojadas. É cativante, é empático pra esse público e dá uma leve explodida de cabeça sobre como contar histórias grandiosas e como o universo da leitura pode ser maravilhoso e acrescentar tanta beleza ao nosso mundinho às vezes tão cinza.

Porém, dizer que é uma boa leitura infanto-juvenil não desmerece o conteúdo para você que é jovem a mais tempo. A narrativa possui riqueza e qualidades que cativam até os leitores mais experientes que já viram muito de quadrinhos na vida.

Eis uma pequena prévia da HQ:






Se for brincar de quantificar a minha satisfação com a obra, em uma escala de 0 a 10 eu daria uma nota 9. Explico. A história em si é sensacional, o acabamento gráfico, nem se fala, tá incrível, meu único ponto é:talvez os personagens principais, a equipe de jovens, pudesse ser melhor apresentada, na minha opinião faltou um pouco do desenvolvimento dos personagens antes da história engrenas, o que poderia gerar maior empatia entre personagens e público, mas isso é só um detalhezinho que não afeta a ótima leitura.

Um ponto que merece aplausos é a iniciativa do Coletivo em fazer histórias longas, num mercado complicado como o nacional os caras estão correndo atrás de financiamentos por editais e tudo mais e ainda assim criando páginas e mais páginas de boa narrativa, isso é um investimento de tempo e energia que deve ser parabenizado. E quem acompanha os camaradas nas redes sociais sabe que eles estão cheios de "projetos secretos", então que venha mais!!!


O lançamento oficial dos Novos Atlantes acontecerá durante a ComicCon RS, nos dias 05 e 06 de agosto, em Canoas. Se você for ao evento, essa é uma compra praticamente obrigatória.

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18/07/2017

Felipe Cagno e As Crônicas de Os Poucos & Amaldiçoados, seu novo projeto no Catarse





Talvez esse não seja um post convencional divulgando um projeto no Catarse, mas também não deixa de ser. Creio que contar a história dos bastidores da criação do post que você está lendo seja muito mais interessante do que simplesmente te dizer: Vai lá colaborar com novo projeto do Felipe Cagno! (Mas vá, o link tá AQUI e você não pode deixar de garantir mais uma excelente HQ pra sua coleção). Contudo, como disse, os bastidores desse post merecem ser contados.

Algumas semanas atrás, Felipe Cagno fez um post no seu perfil do Facebook procurando sugestões de blogs e sites nerds com o qual pudesse estabelecer contato pra divulgar seus projetos. Você percebe a importância de um gesto desses em um negócio como a publicação de histórias em quadrinhos? Todo mundo dos quadrinhos brasileiros conhece o Cagno como o mestre dos financiamentos coletivos, todos se questionam sobre como repetir a mágica. Humildade, meu amigo, comecemos por aí.



Ao dizer implicitamente (ou nem tanto) "Galera, me ajuda aí!" nosso amigo Felipe conseguiu levantar uma bela lista de 96 blogs/sites sobre o tema, dentre eles a Quadrinhosfera. São 96 espaços focados em um nicho específico, dispostos a ajudar quem se permite ser ajudado. Essa fica de lição pras editoras que dizem ser caro, difícil, burocrático, fazer um bom trabalho de marketing: Peguem a lista do Cagno e façam contato com quem está aí pra ajudar vocês!

Façamos aqui um pequeno salto temporal para a quinta-feira passada, quando o Felipe, gentil e elegantemente (veja a importância dessas qualidades) enviou-me o press release das Crônicas de Os Poucos & Amaldiçoados, uma antologia que expande o universo de The Few and Cursed e é o Catarse da vez. Novamente, aqui está o LINK pra você conferir os detalhes do projeto e colaborar. Mas não apenas isso, o camarada enviou as duas primeiras edições (em PDF) de The Few and Cursed por que, né, vai que eu quisesse fazer umas resenhas. Percebe como estabelecer contato com a mídia é apenas uma questão de iniciativa?



É claro que eu quero falar sobre The Few and Cursed por que, acima de tudo, o trabalho do Cagno e sua equipe é formidável!!! 

Li as duas primeiras edições num fôlego só. Fã de faroeste que sou, logo encontrei similaridades com o argumento de uma história de Tex e já fiquei todo empolgado achando que fosse referência, mas antes de sair falando bobagens entrei em contato com o Felipe que, mais uma vez com toda a gentileza do mundo, me disse que tudo não passou de uma bela coincidência. Isso me faz pensar que realmente coisas boas tem suas semelhanças.

Vamos aprofundar um pouco os detalhes.


A história que inicia a jornada da Ruiva, uma protagonista feminina como deve ser, senhora de sí e nada vulgarizada, transbordando Girl Power em um universo de faroeste pós apocalíptico, cheio de maldições e com pouca, quase nenhuma, água, nos apresenta a primeira maldição a ser caçada, uma serpente gigante que assombra um povoado. Eis aí a semelhança com uma história de Tex, tal história é "O Terror das Profundezas" (cuja mais recente republicação é a edição #25 de Tex Edição de Ouro). Contudo a semelhança se restringe a este curto plot, pois o desenvolvimento da narrativa e o universo da HQ de Cagno & Cia. é genuíno, original e extremamente cativante. Cara, é faroeste, com maldições e uma protagonista feminina pra lá de invocada. Certeza de diversão, ainda mais com a arte espetacular do Fabiano Neves.




Bem, na segunda edição seguimos acompanhando a Ruiva em sua jornada de caça às maldições e agora ela vai ao encontro de um bando de corvos gigantes raptores de crianças (cadê aquela carinha de espanto?!) 😮 (Achei!!!)




Meu amigo, é por isso que eu digo, não tem mágica no sucesso dos projetos do nosso querido Felipe Cagno, tem é trabalho de qualidade e empenho. O cara faz o que nenhuma outra editora de quadrinhos está conseguindo fazer por aqui: juntar grandes times produtivos, criar material com qualidade de nível mundial, marketing organizado e cumprindo o que promete em seus trabalhos. 

O bom disso tudo? Ele vai seguir colhendo bons resultados, os leitores também e quem quer levar a sério essa epopeia de fazer quadrinhos no Brasil tem um belo exemplo a ser seguido.

Pra quem quiser saber mais sobre o processo de trabalho do Felipe, ele foi entrevistado recentemente pela Ana Cláudia Soares aqui na Quadrinhosfera, na coluna "Editando", aqui está o LINK.

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